Foram-se os tempos em que achar um livro era questão de sorte – Ou azar, para quem o perdeu. No mundo todo, inúmeros amantes da leitura têm abdicado de livros da sua coleção para instigar a curiosidade e a vontade de ler na população local. O método, também conhecido como bookcrossing, é simples. “Perde-se” um livro em um lugar de grande movimentação como shoppings, praças públicas, cafés e cinemas. O primeiro sortudo a encontrar a obra esquecida se surpreende ao se deparar com as instruções: Leia, e após isso, “perca” o livro novamente. Assim, grandes obras já rodaram países ou talvez o mundo, permitindo que apenas um livro seja lido por centenas de pessoas.
No Brasil, a responsável por iniciar em grande escala o movimento foi a editora Zeiz, que usou a idéia também como forma de divulgar seu lançamento “A Unidade dos Seis – O Herdeiro Especial” de Cristina Castellar. 150 exemplares da obra foram “perdidos” nas ruas, contando com um adesivo especial explicando a campanha. Aqueles que os encontrarem são orientados a entrar no site da campanha (www.livr.us), lê-lo e perder o livro novamente. A estratégia do site ainda conta com um sistema de códigos que permite que qualquer pessoa saiba por onde anda o livro que ela perdeu. O site propõe-se a organizar a prática já existente no Brasil desde 2003.

No principal site americano da campanha (www.bookcrossing.com) é possível entender a magnitude do movimento. Segundo os desenvolvedores, 772.549 pessoas em mais de 130 países estão cadastradas no seu banco de dados, ou seja, perdendo e lendo livros. Números de fato significativos. Não tão impressionantes, porém, para aqueles que já perceberam para onde caminha a literatura nos tempos modernos: Para a informatização e principalmente, por todos os meios possíveis, democratização da arte como um todo. Lembre-se sempre: achar um livro não é mais questão de sorte.